segunda-feira, janeiro 09, 2006

Nunca na vida pensar tinha sido tão doloroso. Faltava-lhe a ginástica mental perdida em noitadas e copos. Só agora, aos 40 anos dava por isso. O corpo pesava cada vez mais. A cabeça também. Bastavam três gins para, no dia seguinte, não se conseguir levantar e ligar para a empresa a avisar que estava com enxaqueca oura vez. Este mês já tinham sido 3 vezes! E o estranho da situação é que este fenómeno só apareceu depois da data do seu aniversário.
Ele pensava em mudar. Assentar. Mas todas as semanas fazia amigos diferentes. Cada vez mais novos que o convidavam e ele, que não sabia dizer que não, ia. Bairro, 24... Sempre os mesmos caminhos!
No dia do seu aniversário também foi. Bebeu um pouco mais que três gins. Acordou em casa de alguém deitado num sofá verde. Saiu o mais depressa que pode, apanhou um taxi e foi deitar-se na sua cama. Dormiu dois dias seguidos e quando acordou o mundo pareceu-lhe diferente. E estava diferente. Só não conseguia precisar a diferença, nem conseguia sequer pensar no que seria essa estranheza que o invadia. A puta da idade... pensou cinicamente. Nãaaa... O que importa é a idade mental e ele sentia-se forever young como na música.
Na verdade, ninguém é forever young António! O tempo passa e não volta atrás, António! As vozinhas irritantes eram mesmo verdade. Dantes teria, simplesmente, ignorado. Agora, não conseguia. Porquê António, porquê?
Levantou-se, preparou um gin e foi tomar duche... pensar era, de facto, doloroso. Por quê fazê-lo? Qual a estúpida razão de começar, aos 40 anos, a pensar? Nãaaa... isso não era para ele! Preparou outro gin e foi trabalhar!

3 Comments:

Blogger PmA disse...

Um gin e Alphaville. Não acho mal. Mas logo de manhã?!
;)

10:30 da manhã  
Anonymous hodiguitria disse...

Pois! ;)

1:34 da tarde  
Blogger António disse...

Querida S.!
Tu és mesmo boa a escrever "short stories".

Obrigado pela visita.
O amor pode encontrar-se aos 20 anos (mesmo asim é preciso procurá-lo, muitas vezes)
Aos 58 é muitíssimo mais importante procurá-lo.
E quem disse que um viúvo de quasi 60 anos quer amor? Não lhe bastarão companhia e carinho?

Beijinhos

6:04 da tarde  

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