quarta-feira, dezembro 21, 2005

Ao longo dos anos, vi-te envelhecer e isso assustava-me. Um dia era inevitável que a mim me aconteceria o mesmo. Após várias crises existenciais a tentar descobrir o sentido de virmos ao Mundo, decidi-me pela resignação: é assim e pronto! Deus apareceu-me quando já não O esperava... quando já não esperava nada. Vi-O em ti e naquele gesto único: um abraço vindo do nada, só porque sim. Vi-O numa célebre viagem de comboio infernal que me deixou sem nada, mas com o teu carinho, mesmo à distância.
Quando te sentiste cansado, partiste. Deixei de te ver, mas sentia-te. Sinto-te ainda hoje. Escreves-me cartas de amor que não me envias, mas que chegam direitinhas ao meu coração. Não sei como pareces aos olhos dos outros, para mim és o anjo que envelheceu sempre junto a mim.
Quando partires para a viagem mais longa eu vou estar lá a dar-te a mão e um abraço forte que eternarizará a nossa união... para sempre.

3 Comments:

Blogger PmA disse...

É interessante como podemos 'pensar pelo outro'; mas sempre na impossibilidade de intervir em acção. Que a viagem prometa ser longa e apetecível, com paragens, estações e apeadeiros amiúde.

2:02 da tarde  
Blogger António disse...

Será que estás a referir-te ao teu avô?
É essa a minha leitura.

Beijinhos

2:37 da tarde  
Blogger hodiguitria disse...

@antonio: na verdade, não estou a falar de ninguém em concreto...é um pensamento de alguém que não sou eu - é ficção - com alguns detalhes verdadeiros! ;)

3:27 da tarde  

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